Construído no final do século XIX, o prédio imponente ainda preserva elementos da arquitetura original. É um dos teatros mais antigos ainda em funcionamento na Bahia.
O primeiro registro histórico sobre “ciências, letras e artes” de Curaçá aparece anotado no magnífico trabalho apresentando por João Mattos e aprovado nos anais do 5º Congresso Brasileiro de Geografia, que aconteceu na Capital Baiana ainda nos idos de 1916, e que dez anos após se transformaria no livro “Descripção Histórica e Geographica do Município de Curaçá”. Na época, o escritor patamuteense já se preocupava com o “desperdício da memória” e com a “intangibilidade das coisas esquecidas”, tanto que escreveu no prelúdio da sua obra que aqueles apontamentos contribuiriam para o “preenchimento de lacunas” que outrora o atormentavam. Publicado oficialmente em 1926, a obra de João Mattos é um marco no registro da história do município.
João Mattos anotou ainda que em 1895 foi fundada a “escola dra
mática” da então Vila de Curaçá sob os auspícios de vários “vultos ilustres”, dentre eles Possídio do Nascimento, Pedro Torres, Epaminondas Torres, Manoel Torres, Pedro Jácome, Plínio Costa e Raul Coelho, que emprestou o seu nome ao Teatro. O escritor registrou também que naquele período, entre a criação do espaço e a publicação do livro, o Teatro funcionava de forma regular e que a arte shakespeariana estava presente nos naqueles palcos.
Não foram encontradas imagens do Teatro publicitadas entre os anos de 1926 e 1953, quando, em virtude das comemorações alusivas ao centenário de município e da paróquia, foi divulgado um álbum que dava destaque à vida intelectual, cultural e artística de Curaç
á, bem como apresentava pequenas biografias de seus filhos “mais briosos”, os cha
mados de “vultos ilustres”.

Um dado interessante foi encontrado na Revista do Centenário de 1953. Nele é possível encontrar três registros fotográficos do Teatro. Em uma de suas páginas aparece republicada a mesma imagem do livro de João Mattos sob a legenda “primeira reforma” ao lado de outra, já com a presença do “ringue”, e com a indicação “Teatro atual”. Além dessas duas, existe ainda uma terceira fotografia nas páginas da revista, a qual os autores a identificaram como “antigo Teatro”. Pode-se notar pela estrutura as mudanças ocorridas ao longo dos anos, mas as características arquitetônicas originais permaneceram sem grandes alterações.
O Teatro Raul Coelho também preencheu as páginas da Revista Delfos em 1965 e da Compilação da Inspetoria Regional e Estatística, que apresentou dados históricos e estatísticos dos municípios baianos.

Os fragmentos da história do Teatro podem ser encontrados em diversos textos. Em 1980, o governo local organizou e publicou um documento que menciona o anfiteatro, assim como registra os valores da terra no campo das artes. No final da mesma década, a Revista Com Você noticiou uma matéria sobre os festejos do aniversário da cidade e comentou mais uma vez a importância do Teatro Raul Coelho, que ocupou lugar de destaque na capa do periódico.
Em Caminhos de Curaçá, o sociólogo e professor Esmeraldo Lopes menciona novamente o ano de 1895 como a data de fundação do Teatro e da Escola de Artes Dramáticas, como fizera João Mattos, e relata que era Raul Coelho que “dava ordenamento aos dramas, escolhia as peças, dirigia os ensaios, organizava o que era para ser organizado, fazia a animação.” (LOPES, 2020, p.14)

Ainda há um infinito de informações perdidas na esteira e nas noites do tempo. Muitas dúvidas sobre a história do Teatro, sobretudo a sua verdadeira ainda estarão presentes nos anos vindouros, uma vez que suas memórias que foram espatifadas no escoar da vida. É preciso resgatá-las, pois, assim como anunciou/prefaciou a Professora Juscelita Rosa no livro Caminhos de Curaçá, fazer isso é reconhecê-lo como nosso patrimônio histórico e cultural, e, além disso, “registrar os rastros desse patrimônio é assinalar a sua singularidade para posteridade”.
Assista essa matéria do Memória Sertão, produzida pela RTV Caatinga da Univasf, que esteve em Curaçá e conversou com ator Wilson Sena.
Texto: Luciano Lugori e Deize Carvalho/com informações adicionais compiladas e cedidas por Wilson Ferreira Martins e Rogério Sampaio / Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Juventude
Foto de capa: Assessoria de Comunicação da PMC