Maria de Almeida Araújo
Uma das mulheres curaçaenses que mais contribuiu para o crescimento educacional daquele povo. Seu nome é Maria de Almeida Araújo, a professora Nenzinha, como é carinhosamente
chamada pelos moradores da cidade. Ela nasceu no seio de uma família nobre e agrária. Seu pai, Adolfo Ribeiro dos Santos, possuía propriedades em Chorrochó, na época distrito de Curaçá. Homem de negócios, fazendeiro por profissão, criou seus três filhos, Celina, José Ribeiro e Nenzinha, ao lado da senhora Escolástica Brasiliense de Almeida.
O nascimento de Dona Nenzinha ocorreu em 11 de maio de 1916. Uma das suas diversões preferidas, quando menina, era brincar de Ser professora. O quadro e o giz tornavam-se o seu “pega-pega” favorito. Ela não suportava inverter os papéis. Ela gostava era de ser a professora. “Eu não queria ser aluna não. Eu queria ensinar aos outros. Eu ensinava brincando” contava alegremente,
deixando transparecer o orgulho pela profissão que resolveu seguir quando adulta. Assim, como muitos sertanejos, a família deixou para trás a vida serena do campo para morar na residência que o pai adquirira na cidade de Curaçá.
A casa onde morava está localizada na praça Raul Coelho,próxima ao Teatro , um dos pontos turísticos da cidade. O imóvel data de 1920 e é uma das construções mais antigas do município. Casou-se na Igreja Católica com Edvaldo Araújo e da união, vieram seis filhos, dois homens e quatro mulheres. Uma vida dedicada à educação. Dona Nenzinha iniciou sua carreira como educadora do município de Curaçá, logo após concluir seus estudos. A primeira escola, que lecionou, foi o Grupo Escolar Dr. Scipião Torres, onde ministrava aulas para as turmas do 1° ao 5° ano do ensino primário. Hoje, o ensino primário compreende o Ensino Fundamental I desde o 1° ao 4° ano. Entusiasmada, chega a revelar que, em alguns anos, chegou a dar aulas para mais de 40 jovens em uma única turma, oriundos tanto da sede como do interior do município. Lecionava todas as disciplinas, porém apreciava as aulas de Português.
As ocupações de Dona Nenzinha não ficavam apenas no ambiente escolar. Mostrando-se sempre solícita a ajudar nas necessidades dos seus alunos, recebia os educandos em sua própria residência, dividindo as atividades do lar com a função de professora. Após lecionar no Grupo Escolar Dr. Scipião Torres, Dona Nenzinha foi nomeada para o cargo de delegada escolar, o que corresponde, hoje, ao título de Secretária Municipal de Educação. Sua função era zelar pelo ensino em todo o território. Para assumir as funções de delegada escolar, Dona Nenzinha precisou vencer adversidades como a distância que existia entre a Sede e os Distritos, o que dificultava a comunicação entre o corpo docente. No entanto, Dona Nenzinha não se deixava abater pelas
dificuldades. Ao longo de sua vida profissional, demonstrou carinho e dedicação pelo seu trabalho e, sempre que tinha oportunidade, visitava todas as localidades para se certificar das principais dificuldades que o município enfrentava em relação à educação. Permaneceu no cargo por 30 anos quando se aposentou. Durante uma entrevista concedida à jornalista e escritora Aline Torres, para a composição do livro de sua autoria “Herdeiras de Feliciana”,deixou uma mensagem para a população de Curaçá.
“Continuem estudando, sejam pessoas honestas, direitas. Muita coisa depende da gente mesmo e não dos outros. As pessoas que procuram proceder bem, tudo fica mais fácil”.
(Biografia composta através de trechos da entrevista concedida à jornalista Aline Torres – Herdeiras de Feliciana)