José Omara Lopes da Silva

José Omara Lopes da Silva, Zé Omara ou simplesmente Omara, esposo de Toinha, pai de Júlio César, avô de Maria Júlia! Omara, nosso amigo, amigo de muitos, de bem muitos, casa cheia, mesa farta, papo largo. Filho de Curaçá, se formou Técnico em Agropecuária na então Escola Agrotécnica de Juazeiro.

Formou-se Bacharel em Administração na FACAPE e se graduou em História pela FAVENI. Ultimamente, vinha exercendo a função docente no CETEP, fez parte da produção da 1ª FLIC e de duas de suas mesas (origem da foto acima). Também era o atual Diretor de Serviços Públicos da Prefeitura de Curaçá e pai do Chefe de Gabinete.

Omara, em sua vida, enfrentou preconceitos e, entre outras coisas, se tornou presidente de uma instituição que se notabilizou em Curaçá por ser bairrista, elitista e até racista: a SCAB – que durante um longo tempo não permitia que pessoas não pertencentes à elite branca local e “de família” ou “da sociedade” frequentassem o clube. Pois Omara, negro, se tornou seu presidente, já num momento de declínio da “nobreza” local. E foi na sua gestão que houve a restauração do Teatro Raul Coelho, em parceria com o projeto Ararinha Azul e a Fundação Loro Parque.

Omara costumava dizer que colocava seus fracassos nas paradas de sucesso. Nunca se rendeu ao preconceito oficial ou velado. Nem ao falso moralismo! E havia nele uma graciosidade contagiante, que fazia sempre os amigos se arrodearem dele e, literalmente, ele era o centro das atenções da rodada. A razão era o repertório de causos e anedotas que ele possuía e compartilhava nas rodadas e confrarias. A maior parte delas era sobre Curaçá, tema permanente das conversas, anedotas, causos e risadas. Eu sempre disse a ele que ele deveria escrever um livro de estórias da cidade, inclusive para recuperar personagens, datas, eventos, situações. Mas, ele era da oralidade, das rodas de conversa, da partilha proseada e animada, regada a goles gelados e relações quentes.

Em 2016, quando fui candidato a vice-prefeito de Curaçá na chapa de Flambinho, Omara gentilmente me hospedou em sua casa. Gesto inesquecível!

Omara, Curaçá sem você jamais será a mesma. Você vai deixar um buraco enorme nas nossas convivências.

Por Josemar Pinzoh

 

(Omara)vilha

Foi-se mais um José,

depressa,

sem pressa,

no seu embalo

sozinho,

no açoite da noite

partiu sem aviso

agora o riso é raso

por causa

do causo do acaso de Omara

e até me entalo

com a tristura que tritura,

que dói

calo que machuca tanto

tanto que me calo

 

Não era qualquer Zé,

desses que atravessam o “rio da vida”

sem antes (omara)vilhar a gente

com seu abalo,

Era redemoinho, maremoto

um eviterno afoite,

negritude de atitude, afoito

que passou, foi-se embora,

que ficou, que de(mora)

nas lembranças que ora exalo

Uma figura que fulgura,

uma espécie de herói (que resiste, que existe)

E das tantas histórias que contou,

encantou-se numa delas:

 

Caraibeirizou-se,

fincou raízes no chão da praça

pra renascer

e florescer

entre as estrelas de pedra

pra fazer sombra pro poeta

ser a própria poesia

ser abrigo pro amigo

“pra mirar o rio São Francisco

e o tremular da bandeira de São Benedito”,

o santo preto,

tão bendito

quanto o(mara)vilha.

 

Omara vive!

Por Luciano Lugori